Total de visualizações de página

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Tratamento de Bambu por Troca de Seiva e Imersão

       Introdução

         No mundo existem aproximadamente 2.300 espécies de Bambu, sendo que mais de 260 são nativas do brasil. O Brasil tem um grande potencial para a produção de Bambu, o que traria geração de emprego e preservação das árvores em extinção com a não necessidade do desmatamento descontrolado, em consequência a preservação da flora e fauna silvestre, pois o bambu pode substituir com vantagem, praticamente tudo que hoje é feito de madeira, tanto em sua forma natural como em forma de tábuas, pranchas e vigas feitas de ripas laminadas, coladas e prensadas, o BLC (Bambu Laminado e Colado) e ou ainda métodos mais modernos ainda em fase de desenvolvimento nos países mais adiantados em estudos e pesquisas sobre Bambu.

      No Brasil apesar de termos grandes estudiosos e investidores no ramo, ainda estamos apenas “engatinhando” no que se diz respeito ao Bambu. Em países mais avançados nesta área, como a China, Japão, Vietnã, Colômbia e Paraguai, existem grandes pesquisadores e grandes empresas trabalhando com bambu a muito tempo e já tem uma boa tecnologia desenvolvida produzindo os mais diversos tipos de material de bambu, desde mouses, teclados e gabinetes para computador, passando por enormes pontes, vigas maciças em medidas padrão como as de madeira, até pisos laminados para uso interno externo de alta densidade e o que é melhor com garantia maior que os de madeira e ainda com a possibilidade de uma produção sustentável.

      O Bambu é sem dúvida a planta que mais se aproxima da sustentabilidade, portanto considerado por muitos o material do futuro, com mais de 5.000 utilidades catalogadas, não servirá apenas para substituir a madeira como alguns dizem, mas em muitos casos, o plástico, a celulose, as fibras têxteis, o aço, o carvão, etc., sem contar no uso medicinal e na alimentação.

         Plantar Bambu, hoje é sem dúvida alguma um grande investimento, no mercado brasileiro existe falta de colmos de boa qualidade e só vamos poder suprir esta procura se tivermos bambus de boa qualidade, o que se consegue somente com o manejo adequado dos mesmos, principalmente os entouceirantes, que quando não manejados de forma adequada começam a brotar mais fracos e tortos e ainda ficando a touceira com um difícil acesso aos colmos já “maduros”, tornado quase impossível tirá-los sem se estragar os brotos novos.

          Contribuição Ambiental: O Bambu no sistema de plantio 100% orgânico, (que adotamos na Fazenda dos Bambus) tem o primeiro corte rentável, dos oito a dez anos após o plantio, sendo que a esta idade já foram feitos vários cortes de manejo e com aproveitamento dos colmos bons. Digamos que sejam dez anos para o primeiro corte, só
que muito diferente do eucalipto, cortamos apenas os colmos maduros, continuando ainda os brotos com menos de três ou quatro anos e ainda mais fortes que os primeiros e que os mais velhos deixados, estarão bons para corte em um ano, nunca deixando o solo nu, como acontece nos reflorestamentos de eucalipto na hora do corte, evitando assim no caso do Bambu este grande impacto. Um Bambusal bem manejado depois de adulto terá sempre a cada ano Bambus maduros e bons para o corte, não tendo que esperar os seis anos do eucalipto, além disso, o bambu absorve 20% mais gás carbônico que madeiras em geral, inclusive o eucalipto, devolvendo para o ambiente o oxigênio na mesma proporção e ainda em um hectare de plantio, o Bambu retém 35.000 litros de água em forma de seiva.

O Tratamento

No Brasil temos quatro tipos de tratamento para Bambu, sendo eles: Em Autoclave, Boucherry, Imersão e o que considero o mais simples e fácil de fazer que é o tratamento por troca de seiva que faço ainda em forma de experiência aqui na fazenda dos Bambus.

Este tratamento funciona com colmos “maduros” logo após o corte, pois como sabemos os colmos “verdes”, ou seja, colmos com menos de três anos, nos Bambus de grande porte, nunca devem ser cortados.

Esta fórmula foi por mim testada na fazenda dos bambus, obtendo inicialmente bons resultados, pela verificação de até onde chegou o produto no interior do colmo tratado e pretendo dar continuidade com testes em diferentes fórmulas e meios, seguidos de testes de durabilidade dos colmos tratados, submetendo-os as intempéries naturais ao ar livre, para se chegar ao melhor resultado.

Considero este tratamento o menos agressivo ao meio ambiente e a quem manuseia os produtos. Infelizmente ainda não há que seja do meu conhecimento um tratamento natural que seja eficaz para os Bambus de médio e grande porte, nos alastrantes de pequeno porte, é costume o simples uso do maçarico para a queima dos colmos e em seguida o uso dos mesmos.

Vale lembrar que toda a sobra do produto deve ser armazenada em frascos de vidro ou plástico para posterior uso com a próxima etapa de tratamento, misturando o mesmo com o produto novo preparado, evitando assim prejuízo com a sobra e o descarte que poderia causar contaminações ao meio ambiente.

Os Produtos

900 gramas de Sulfato de Cobre
850 gramas de Dicromato de Potássio
650 gramas de Ácido Bórico
1 litro de Vinagre
100 litros de Água limpa

*O vinagre ainda falta testar a quantidade ideal, a indicação é a já testada.

Para o preparo e manuseio dos produtos deve-se usar EPI (Equipamento de Proteção Individual) como: Óculos de proteção, máscara, chapéu ou boné, avental e bota de borracha tendo todo o cuidado para não haver contato direto com o produto.

Preparo do produto:

Primeiramente se dissolve em 10 litros de água limpa os produtos, colocando os mesmos um a um sobre a água, nunca a água sobre os produtos, deixando para último o vinagre (A função do vinagre na fórmula é aumentar a absorção dos produtos nos Bambus a serem tratados e ainda ajuda a evitar evitar a oxidação de metais com que venha a utilizar nos trabahos a reaizar com o bambu já tratado). Aí se adiciona os 90 litros restantes de água limpa misturando-se bem e está pronto o produto.

A forma mais eficaz de tratamento de Bambu por troca de seiva é realizada com os bambus no próprio local onde foram cortados, pois os mesmos assim que cortados devem permanecer de pé na touceira até que caiam todas as folhas, quando o tratamento já deverá estar concluído.

Para o tratamento, utiliza-se de frascos de aproximadamente 20 litros de preferência de plástico, onde se corta o Bambu, ergue e coloca dentro do frasco quantos couberem e só depois se adiciona o produto que deve ficar nessas condições por pelo menos 07 dias.

No decorrer desses 07 dias, deve-se observar se não há falta de produto que deverá ser reposto de preferência antes que se acabe por completo para que não haja interrupção no processo de troca de seiva. Essa observação se faz necessária, pois ainda não tenho nenhuma estimativa de quantidade de absorção por colmo tratado, visto que a quantidade vai depender diretamente do tamanho, diâmetro e capacidade de absorção particular de cada colmo.

Mesmo após os sete dias de tratamento, o Bambu ainda deve continuar na touceira, até que caiam todas as folhas, para só então retirar o mesmo e efetuar o corte dos galhos e ainda depois de retirado deve ficar armazenado a sombra agora em posição horizontal por pelo menos 30 dias antes de qualquer uso.

O Bambu, mesmo depois de tratado, sempre deve ser armazenado em local protegido do sol e da chuva até que lhe seja dado o uso final. O melhor tempo para o corte do Bambu para tratamento é o período dos meses sem o (r), ou seja, Maio, Junho, Julho e Agosto, na verdade porque são os meses com menos incidência de chuvas, ainda não fiz teste com referência as fazes lunares, mas como do conhecimento popular o mais indicado seria na lua minguante e se quiserem ser mais exatos, o melhor momento seria na madrugada, 02:00hs da manhã, como isso é impraticável na prática, sempre devemos procurar fazer os cortes na parte da manhã que é o horário em que a seiva da planta está trabalhando no rizoma das mesmas, subindo para o colmo, ramos e folhas de acordo com o aparecimento do sol para o processo da fotossíntese.

Em breve teremos um manual completo com fotos e resultado de novas experiências, críticas ou sugestões, favor enviar pelo e-mail logo abaixo que serão bem-vindas. Um elogio é muito bom e dá ânimo, uma sugestão sem ser imposta às vezes ajuda muito, já as críticas quando bem colocadas, nos faz superar na busca dos ajustes necessários.

Observações importantes:

 Mesmo se tratando dos meses sem (R) com menor incidência de chuvas, nunca fazer esse tipo de tratamento caso haja incidência de chuva, chuvas fortes durante a época de tratamento poderiam trazer graves problemas ao meio ambiente com o transbordo dos recipientes que contenham o produto do tratamento, poluindo o solo local, minas próximas, correntezas de água, lagos e rios e ainda o grave risco de poluir o lençol freático.

 O mesmo produto pode ser utilizado para o tratamento por imersão com a utilização de tanques construídos para essa finalidade, observando que os mesmos devem ter uma perfeita impermeabilização, e que tenha acabamento com material que tenha a menor absorção possível do material, lembrando que no tratamento por imersão teremos um uso e sobra muito maior de material, que deve ser armazenado para uso futuro, porém em muitos casos esse tipo tem eficácia superior ao tratamento por troca de seiva. Com dois inconvenientes: Investimento maior para a construção do tanque de tratamento e disponibilidade para maior quantidade de produto o que não chega a ser um prejuízo, visto que a sobra poderá ser armazenada em tambores para uso no próximo tratamento.

 Para trabalhar qualquer material tratado com produtos químicos devemos tomar cuidados preventivos para que vapores ou pós desse material contendo esses produtos não sejam nocivos a nossa saúde com o uso de EPIS adequados a cada situação, nesse caso nunca existe cuidado demasiado.
 Apesar de ser relativamente fácil a aquisição dos produtos mencionados, a responsabilidade de uso dos mesmos é exclusiva de quem o adquiriu e de seus
utilizadores, portanto façamos uso de tais materiais com a máxima responsabilidade possível.

Considerações Finais

O aqui escrito é resultado dos meus apenas oito anos e meio em contato com o bambu, pesquisando de forma particular/pessoal e para o Instituto Jatobás. Desde a internet até a troca de idéias com muitas pessoas, amigas ou não que aqui vêm, os funcionários colaboradores da Fazenda dos Bambus e seria impossível citar todos e ainda no espaço da Fazenda dos Bambus, do viveiro de mudas com toda sua estrutura, a replicação de mudas e plantio, adubação orgânica, limpeza, manejo, artesanato, construções, desenvolvimento de peças para estruturas conectadas ainda apenas desenhando no computador e principalmente para a Dona Betty Feffer que a mim passou parte do conhecimento, amor e respeito que ela tem a essa maravilhosa planta que é o Bambu, a “sustentabilidade” e ao meio ambiente como um todo.

Plantemos Bambu, pode ser que amanhã precisemos dele e não o tenhamos se plantarmos e não precisarmos ao menos teremos um ar menos poluído para respirar. Issocom certeza vamos precisar.

Esse material apesar de ainda estar aguardando muitas atualizações, pois é ainda apenas um início do que será, liberado no momento apenas por solicitação de amigos, pode e deve ser distribuído sem nenhuma restrição, desde que sejam mantidas todas as observações principalmente no que se diz respeito as limitações dos testes feitos até o momento, não sendo obrigatório pede-se manter os contatos para possíveis esclarecimentos de dúvidas e sugestões para o enriquecimento do material, pois a sua pubicação tem como único interesse a busca pela concientização e interesse do maior número de pessoas possíveis pelo cultivo e uso do Bambu como o material nobre que é.

Eliseu Pinheiro Lopes
Administrador
Fazenda dos Bambus
elyzeus@yahoo.com.br



quinta-feira, 10 de maio de 2012

Resumo das Apostilas Sobre Produção de Mudas e Implantação da Lavoura Orgânica de Bambu


Introdução


Após aproximadamente dez anos de contato direto com o Bambu, para mim, falar de Bambu é como falar de Ecologia, Meio Ambiente, Preservação, Economia e Justiça Social. Não vou dizer que seja sustentável, mas sim, dos materiais que conheço o que mais se aproxima da Sustentabilidade, pois quanto mais leio, ouço, pesquiso e penso sobre Sustentabilidade, mais percebo a complexidade da palavra, por isso sempre darei preferência em falar sobre o que acho que mais se aproxima da sustentabilidade ao invés de dizer que seja ou não sustentável.

O Bambu em si, até seria sustentável, não fosse a intromissão humana, mas não fosse a nossa intromissão, o que não seria sustentável nesse planeta? Portanto para atender aos nossos “Caprichos”, no meu ponto de vista o Bambu continua sendo o material que mais se aproxima da Sustentabilidade, mas o quanto ele se aproximará da sustentabilidade, vai depender em muito da forma como vamos cultivar e utilizar do nosso Bambuzal.
  

O Bambu

                Em países como: China, Japão, Vietnã, Colômbia, Paraguai, entre outros, a cultura do Bambu já é muito bem desenvolvida, infelizmente estando o Brasil apenas iniciando seus primeiros passos no assunto, mas nem por isso deixa de ser um país com um grande potencial para a cultura do Bambu.

            O Bambu pertence à família Poceae (Mesma família das gramíneas) e subfamília Bambusoideae, Portanto o Bambu é uma grama gigante. No mundo são aproximadamente 1.300 espécies, no Brasil temos aproximadamente 260 espécies nativas, assim temos a maior quantidade de nativos na América do Sul, porém as espécies mais utilizadas e cultivadas tem origem em outros países principalmente Japão, China e Colômbia.

            Para estudar o Bambu, primeiro o dividimos em dois grandes grupos, os Lenhosos e os Herbáceos e depois subdivididos em Alastrantes, Entouceirantes e Semi-entouceirantes, sendo para nossos estudos de maior importância a divisão entre Alastrantes e Entouceirantes, pois essa simples divisão entre Alastrantes e Entouceirantes já nos determina em grande parte das espécies o melhor modelo de se produzir mudas, a escolha do local para plantio e ainda a utilidade de cada um, depois disso refinamos a seleção pelas espécies.

Conhecendo os Alastrantes e os Entouceirantes
                
                  Em um bambuzal na fase adulta é muito fácil observar essas diferenças, os bambuzais alastrantes formam bosques que dependendo do manejo aplicado, podemos andar por entre seus colmos, já os entouceirantes ficam limitados a enormes touceiras bem definidas que também devem ser manejados para se ter acesso a toda a extensão da touceira, porém nesses existem exceções como é o caso do Guadua angustifólia, por exemplo, que com um bom manejo temos um lindo bosque, sem touceiras definidas, mas suas características principais na formação dos Rizomas os definem como entouceirantes.

                Nos alastrantes temos um rizoma longo em forma de colmo que por onde passa vai soltando brotos novos, por isso são potenciais invasores da área em seu redor. Nesse rizoma quase não existe oco, o que o torna mais flexível e resistente e por esses detalhes, são muito utilizado na fabricação de artesanato onde seja necessário curvar a peça em ângulos mais fechados.

                Nos Entouceirantes, temos rizomas curtos e de diâmetro maior de onde já saem os brotos, por isso são entouceirantes, pois os brotos crescem uns ao lado dos outros, em algumas espécies esses rizomas são um pouco mais alongados, deixando o bambuzal em forma de bosque, podendo andar por entre os colmos como se fossem os alastrantes.

                O que mais diferencia os Alastrantes dos Entouceirantes é que nos entouceirantes cada rizoma cresce apenas um colmo enquanto que no alastrante, cada um de seus longos rizomas podem produzir vários colmos.

                Os Alastrantes são mais resistentes aos carunchos e brocas que os entouceirantes, por isso, são os preferidos para a fabricação de móveis pela facilidade de tratamento, na maioria das vezes apenas com o uso do maçarico sem necessidade de produtos químicos, ao contrário do que acontece com a maioria dos entouceirantes onde até o momento apesar de já haver várias pesquisas para tratamento natural, comprovadamente apenas o tratamento com produtos químicos é verdadeiramente eficaz, infelizmente no meu ponto de vista este é um sério ponto negativo na utilização dos Bambus de grande porte, porém muito menos agressivo ao meio ambiente que a utilização dos outros materiais quando somados todos os benefícios que o material traz comparado aos outros materiais.











Figura 2 - Exemplo de Bambu Entouceirante









Partes do Bambu
































Figura 3 - Partes do Bambu (As figuras 1, 2 e 3 são retiradas da internet e propriedade de Oscar Hidalgo Lopes, grande estudioso do Bambu)


Produção de Mudas de Bambu

Existem conhecidamente três formas viáveis de se produzir mudas de bambu, produção a partir de Sementes, do Colmo e do rizoma, porém cada uma dessas formas é mais viável para uma determinada espécie de Bambu.

Olhando de forma bem superficial, as duas formas mais viáveis são pelo colmo e rizoma, porque podemos ter uma produção programada, já que o florescimento dos bambus é na maioria das vezes imprevisível, não permitindo assim uma produção programada, mas dependente da disponibilidade das próprias sementes.

Mudas a partir do Colmo

Uma grande maioria entouceirantes tem sua principal forma de produção de mudas baseada nos colmos, até mesmo porque tais Bambus, pela sua forma de rizoma, torna inviável esse tipo de produção de mudas. A produção a partir do Colmo, além de muito mais fácil também é a que permite o seu desenvolvimento em viveiros a partir de sacos de mudas, relativamente pequenos facilitando o transporte e comércio.


Foto 3 - Produção de mudas a partir do Colmo                        Foto 4 – Muda de Dendrocálamus                                      .                                                                      asper a partir do Colmo (3 Meses)

Mudas a partir do Rizoma
            
             A produção de mudas a partir do Rizoma é dedicada em sua maioria aos bambus do tipo alastrante, não conheço um só alastrante em que seja possível fazer mudas a partir do colmo, porém em alguns entouceirantes se torna viável a produção de mudas a partir do rizoma. Quando produzimos mudas a partir do Rizoma, temos aqui dois modos de se produzir tais mudas, um com apenas um pedaço do rizoma subterrâneo, nesse caso apenas para os alastrantes, outro é a retirada do rizoma acompanhado de uma ou mais hastes (Colmos), com uma poda parcial ou às vezes dependendo da espécie até mesmo sem a necessidade de poda alguma do colmo ou ramos laterais.


Fotos 5 - Mudas a partir do Rizoma - Alastrantes de grande porte     Foto 6 - Entouceirante pequeno porte


Mudas a partir de Sementes

                
               Com frequência encontramos na internet sementes de Bambu a venda, principalmente sementes dos bambus mais raros, o problema está na germinação de tais sementes, por isso não aconselho tal aquisição, a não ser que ache valer a pena correr o risco devido a espécie oferecida, como fiz algumas vezes e em alguns casos obtive êxito recuperando o que perdi em outros. As sementes de Bambu mais comumente encontradas e com maior chance de germinação são as de: Bambus giganteus, Guadua chacoensis e Bambusa nutans.




Foto 7 – Floração de Bambu         Foto 8 – Semente de Bambu          Foto 9 – Sementes de Bambu                  .                                                                                                          prontas para plantio


Foto 10 - Mudas feitas a partir de sementes compradas, de seis sementes, três germinaram. (Dendrocálamus ásper - Betung Hitam - Bambu gigante preto)


                Essa espécie teve uma germinação considerada boa, para sementes compradas, porém junto com essas adquiri seis sementes de Bambusa lako que não germinou nenhuma, quando adquirimos sementes diretamente de quem as colheu, a germinação se aproxima ou até chega aos 100% dependendo da espécie.

Foto 11 - Exemplo de viveiro com mudas de Guadua angustifólia, já prontas para plantio/comercialização.


Instalação da Orgânica Lavoura de Bambu
                Quando iniciei minhas atividades na Fazenda dos Bambus, a Instalação da lavoura de Bambu já havia sido iniciada e ainda levou algum tempo para que a mesma ficasse sob minha responsabilidade. Desde o início pude verificar os erros e acertos, no início com análise de solo, correção da acidez com calcário, correção de nutrientes com NPK e reposição com adubação de cobertura a base de ureia, não surtiu bons resultados devido à quantidade de braquiária que temos na fazenda, o melhor resultado foi conseguido no plantio feito no local de um velho cafezal sem o uso dos adubos químicos, como já era cuidado o cafezal anteriormente, o que me levou a crer que o plantio poderia ser feito de forma orgânica, da forma em que sempre trabalhei, pois nem mesmo conhecia os adubos químicos, apenas já havia lido e pesquisado sobre os mesmos.
                Minha rejeição aos químicos é principalmente ao fato de eles exterminarem por completo os micro-organismos do solo e depois pelos resíduos deixados nos alimentos e no caso dos bambus, nos materiais, sem contar que também podemos usar grande parte dos brotos comestíveis de algumas espécies na culinária, livre dos químicos teremos um produto com melhores qualidades.

Mesmo optando pela produção orgânica, devemos seguir os seguintes passos para a instalação da lavoura: A escolha do local, a análise do solo, preparo do solo, plantio das mudas, cultivo, manejo de cultivo e finalmente o manejo de colheita de colmos ou brotos para alimentação.

           Escolha do Local para Instalação da Lavoura
                Os Bambus não são muito exigentes na qualidade do solo, porém é desejável solo bastante permeável sem água parada, mas com boa humidade, quanto ao PH, o ideal seria um solo de PH neutro para ligeiramente ácido.

                Os Bambus podem ser cultivados em praticamente todo o tipo de solo, altitude e temperatura, bastando escolher a espécie que melhor se adapte as condições de cada localidade.

Foto 12 - Pleioblastus chino elegantíssimos em frio intenso  Foto 13 – Guadua angustifólia (Sítio
                                                                                                Terrinha, Araçuaí - MG - calor
                                                                                                intenso até 36º)

                
                Um ponto que se deve observar na implantação da lavoura de bambu é quanto ao local escolhido e o tipo de Bambu escolhido, nunca plantar bambu alastrante próximo a áreas de preservação ambiental, matas nativas, construções, estradas pavimentadas, etc. a não ser que tenhamos um método eficaz na contenção do mesmo. Para esses tipos de locais, o mais indicado seriam os entouceirantes, porém com observação da distância das plantas para com o local que não deverá ser alcançado pela cultura.

           Análise do Solo
                
              Na análise do solo, é de fundamental importância a observação de todos os detalhes para uma correta coleta do material a ser enviado ao laboratório, pois 50% das chances de um resultado correto na análise de solo estão na coleta do material, portanto devendo essa etapa ser executada pelo próprio produtor ou por pessoa capacitada e confiável.

                As áreas a serem analisadas sempre devem ser divididas de acordo com cada tipo de solo, cada área a ser analisada, nunca deve ultrapassar 20 hectares.

                A amostra chamada de amostra composta deve ser formada por até 20 amostras simples retiradas de forma aleatória em forma de ziguezague dentro de toda a área a ser analisada.

                Nunca recolher material em local de armazenamento de qualquer tipo de adubo orgânico ou químico, fezes e urina de animais ou calcário, a não ser que toda a área esteja nas mesmas condições.

                Quando a área vai ser analisada pela primeira vez devemos fazer ao menos duas análises, uma da superfície de cultivo de 0 a 20 cm de profundidade e outra mais profunda de 21 a 40 cm de profundidade, os dois materiais devem ser analisados em separado.

                As amostras simples após serem colhidas devem ser bem misturadas até se formar um material bem homogêneo de onde se retira a amostra composta com 500 gramas desse material que deve ser embalado em embalagem apropriada distribuída pelos laboratórios. Esta embalagem deve estar completamente livre de contaminantes assim também como as ferramentas utilizadas para a coleta e mistura do material.

                As ferramentas utilizadas para a coleta do material variam de acordo com o tipo de solo e a profundidade a ser amostrado, entre elas o trado, pá, enxadão, etc. que devem estar completamente limpas, sem ferrugem ou qualquer tipo de contaminante como já dito antes, para não alterar o resultado final da análise.








Figura 4 - Exemplo de amostragem de duas áreas para análise de solo (imagem retirada da internet)

Preparo do solo
                De posse do resultado da análise de solo, devemos procurar a ajuda de um profissional da área para nos orientar sobre que tipo de preparo será necessário para nossa área escolhida.

                Fora isso se pode adquirir conhecimento através de tabelas de valores base por onde poderemos questionar as indicações dos profissionais da área para melhor entender a questão do controle da acidez e fertilidade do solo.

                Aqui na Fazenda dos Bambus, depois de passar por várias formas, acabamos dando preferência por subsolar, arar e gradear apenas as ruas onde o mesmo é plantado e não fazendo curvas de nível nas áreas onde as mesmas não existiam, pois o próprio Bambu vai evitar a erosão da área, também por isso é que descobrimos que a saída seria gradear apenas as ruas onde se planta o Bambu, evitando assim a erosão enquanto o bambu ainda não se desenvolveu.

                Nesse caso também podemos ver que somente precisaremos cuidar da acidez e fertilidade da área preparada, ou seja, apenas das ruas onde iremos fazer o nosso plantio.

                No caso do Guadua angustifólia, Guadua Chacoensis, Dendrocálamus giganteus e todos os Bambus de grande porte a distância entre ruas e entre mudas é de sete metros, então assim teremos o preparo de ruas a uma distância de 7 metros umas das outras.

                Também na maioria dos casos fizemos o preparo apenas das covas onde plantamos o bambu, diminuindo em muito o gasto com esterco bovino (Que é o nosso caso nos cuidados com a fertilidade do solo) e calcário para o controle da acidez do solo.

Foto 14 – Área sendo preparada para o plantio de Guadua angustifólia, trabalho do colaborador da Fazenda dos Bambus Ademir Sartori


Plantio das Mudas
                No caso do Bambu, antes de efetuar o plantio, temos que preparar as mudas retirando todos os ramos secos ou em fase de secagem e cortando o excesso de raízes, aí colocando a muda dentro da cova já preparada, compactamos o solo a sua volta para que a terra nova colocada não abata o suficiente para a muda cair.

                Onde não existe a possibilidade de irrigação (O ideal seria por gotejamento ou micro aspersão devido à distância das plantas) a época para plantio deve ser escolhida de preferência no início da época das chuvas.

Foto 15 – Após seleção e preparo, mudas de Guadua angustifólia sendo plantadas no campo pelos colaboradores da Fazenda dos Bambus


Cultivo e Manutenção da Lavoura
                
             Como cultivo se entende a retirada dos colmos secos do próprio bambuzal em formação e a eliminação de ervas daninhas em torno das plantas, aqui na Fazenda dos Bambus, essas ervas daninhas praticamente se resumem a braquiária, que é um grande competidor com o Bambu tanto apressando a acidez do solo como com os nutrientes.  Sem contar que a braquiária produz certa enzima nas suas raízes que tende a controlar o crescimento de tudo que nasce junto a ela.

                Por manutenção da Lavoura, entende-se o controle da acidez e fertilidade do solo que deve ser feita de acordo com indicações do profissional da área através do resultado da análise do solo. Também faz parte da manutenção da lavoura, novas análises de solo que devem ser feitas ao menos a cada dois anos, principalmente se percebemos diminuição no desenvolvimento das plantas da área cultivada.

Foto 16 – Colaboradores da Fazenda dos Bambus fazendo limpeza manual de plantação de Guadua angustifólia


Curiosidades sobre o Bambu
·         
     Existem Bambus com alguns centímetros até 30 metros de altura e cada colmo adquire sua altura final nos seus primeiros seis meses de vida.

·         O Bambu já brota no diâmetro que tem que ser, não engrossa igual às árvores.

·    Já existem catalogadas, mais de cinco mil utilidades para o Bambu; difícil encontrar outro material com tamanha versatilidade, podendo ser utilizado na culinária, em terapias, na produção de remédios, produtos de higiene pessoal, na fabricação de objetos desde peças para culinária, móveis em geral, gabinete para aparelhos eletrônicos, meios de locomoção como carros e bicicletas, na construção civil desde a estruturação até o acabamento, podendo substituir a madeira, o plástico e o metal na maioria dos casos com grande vantagem comparado aos materiais convencionais e ainda que se aproxime tanto da sustentabilidade como o Bambu.
·         
     Com técnicas simples o Bambu é muito fácil de se trabalhar, com um simples canivete, uma lâmina de serra, uma folha de lixa e um tubo de cola podemos fazer lindas peças, porém com o uso de máquinas especiais o limite é a imaginação de cada um.
·      
         O Bambu não é madeira, mas sim uma gramínea, por isso não está correto dizer que o Bambu é a madeira do futuro, o correto seria dizer que: O Bambu é o Material do Futuro.
·         
    Em um cultivo de Bambu podemos ter uma floresta o tempo todo se bem manejada, por dezenas ou até centenas de anos sem nunca ter o solo descoberto ou desprotegido, pois somente cortamos os colmos maduros ficando todos os outros para a manutenção da floresta, justamente o contrário do que acontece com o reflorestamento com árvores como o eucalipto, por exemplo, que a cada corte temos toda a área completamente nua, desprotegida, o que causa um enorme impacto ambiental.
·         
    O Bambuzal é o refúgio ideal para animais e pássaros, principalmente os pássaros e o fato de nunca cortarmos todo o bambuzal, reforça mais essa vantagem ecológica.
·         
     O manejo do Bambu é feito com a retirada dos colmos já maduros, essa maturação acontece aos três anos de vida contados a partir da brotação do como, esse colmo pode ser cortado até no máximo cinco anos pois a partir disso o material começa a perder suas características, sendo ideal a realização do corte aos 4 anos contados a partir da data da brotação do colmo.
·         
     Como exemplo o Guadua angustifólia produz no Brasil aproximadamente sete colmos de boa qualidade por ano. (Informação do pesquisador Prof. Marco Pereira)

  
Considerações Finais
               
            Esse material é um resumo superficial sobre os dois cursos: Produção Orgânica de Mudas de Bambu e Instalação Orgânica da Lavoura de Bambu e faz parte de um material que estou escrevendo sobre o Bambu começando pela produção de mudas, passando pelo cultivo, manejo de cultivo, manejo de colheita e uso final do material em todas as suas utilidades, ou seja, sobre toda a cadeia produtiva do Bambu.

Obs.: Esse foi o material de apoio para o Seminário: O Bambu como Material do Futuro em 05/05/2012 na Fazenda dos Bambus em Parceria com o Sindicato Rural de Pardinho e apoio do Senar, contamos com 42 participantes sendo um professor e alunos da Fatec e pessoas da população de Pardinho. Muito obrigado a todos!

Críticas, questionamentos, sugestões e elogios serão muito bem vindos!
Muito obrigado a todos, sem os quais nada disso seria possível de estar acontecendo!

Eliseu Pinheiro Lopes
(14) 99977 - 2107

terça-feira, 6 de março de 2012


Produção Orgânica de Mudas de Bambu em Viveiro e Campo de Replicação 
(Revisada 31/08/2012)

Viveiro de Mudas de Bambu na Fazenda dos Bambus.




Introdução
Nos dias Atuais, é impossível fazer algo conscientemente sem se pensar em Sustentabilidade.

A palavra Sustentabilidade é tão nova quanto desgastada e muito frequentemente sendo utilizada de forma indevida com tanta coisa sendo chamada de Sustentável sem ao menos conter os princípios básicos da Sustentabilidade.

A Sustentabilidade se afirma nos três pontos: Ecologicamente correto, Socialmente Justo e Economicamente viável, em se faltando um dos três pontos não mais teremos Sustentabilidade. Além do mais é uma palara tão complexa que se torna difícil determinar que algo seja realmente sustentável, por isso prefiro falar do que mais se aproxima da sustentabilidade.

Nos meus quase oito anos trabalhando com Bambu, desenvolvendo mudas, plantando, cultivando, manejando e trabalhando o material, não tenho mais como escutar a palavra Sustentabilidade, sem fazer uma rápida associação da palavra ao Bambu, como também não posso falar do Bambu sem pensar em sustentabilidade.

Bambu & Sustentabilidade

Que o Bambu já é visto pelo mundo como o material que mais se aproxima da Sustentabilidade não é nenhuma novidade, chegando alguns a chamá-lo de material sustentável, poderia até ser não fosse a intromissão humana, mas não fosse nossa intromissão, o que mais não o seria? Agora vejamos como se mostra isso:

Ecologicamente Correto: O Bambu absorve até 30% mais CO2 que as árvores, o corte (manejo correto) é feito como se fosse uma poda auxiliar da planta, mantendo sempre a floresta de bambu que cobre o solo, também não há necessidade de agrotóxicos devido a praticamente não existir no Brasil, pragas para o bambu antes do corte, isso ao mesmo tempo ajuda a manter os animais, pássaros, insetos e principalmente as abelhas hoje tão ameaçadas.

Socialmente Justo: A inclusão das pessoas ao meio de trabalho, melhores condições e perspectiva de vida com a criação de empregos em todas as áreas da cadeia produtiva. Nos países com maiores investimentos no cultivo do Bambu, estima-se que há de forma direta e indireta um aumento de cinco novos empregos para cada hectare de Bambu cultivado.

Economicamente Viável: O Bambu pode ser comercializado na sua forma natural assim que colhido ou após a agregação de valor como tratamento ou ainda na forma de kits para construção de móveis, quiosques, garagens, estacionamentos, barracões e até casas em forma de kits leves para o transporte e ainda atender ao mercado de alimentos com a venda de brotos apropriados para a culinária.

Pensando na industrialização, ele também pode ser laminado, prensado e colado na forma de pranchas, vigas e piso ou já em curvas ganhando o modelo do produto final, evitando perdas ao trabalhar o material. Ainda todo o material considerado sobra como galhos, folhas bainhas, pó de serragem e laminação, pode ser aproveitado no sistema de industrialização para a produção de placas do tipo OSB, MDF etc. outra opção é a compostagem que produziria um ótimo composto rico em silício, mineral presente no bambu e do qual nossos solos são carentes.

Posso dizer sem medo de estar errado que o Bambu é senão a solução, ao menos uma ajuda para resolver os problemas Sociais, Ecológicos e Econômicos do Brasil.

Vale lembrar que o aqui tratado não tem a intensão de exaurir ou até mesmo ser visto como regra na produção de mudas, mas apenas uma humilde sugestão de como produzir mudas de forma simples e barata. O aqui apresentado foi desenvolvido por mim e os colaboradores da Fazenda dos Bambus bem como os visitantes a época das pesquisas e testes com suas críticas, sugestões e elogios com o apoio incentivador da Senhora Betty Feffer e registrado por mim de forma simples em forma de fotografias e anotações, tudo é resultado de muita dedicação ao  trabalho e observações constantes dos resultados tanto positivos quanto negativos.


Conhecendo o Bambu

Os bambus pertencem à família das gramíneas e a subfamília Bambusoideae que por sua vez se divide em duas grandes tribos: bambus herbáceos e os bambus lenhosos. Sendo os herbáceos com comprimento geralmente de 2 metros, não lignificado e facilmente quebrável enquanto que os lenhosos chegam a 35 metros de comprimento, são lignificados com grande resistência, até sendo utilizados para substituir o aço, como por exemplo, nas construções civis.

O Bambu é composto de:
Rizoma, Gema, Broto, Raiz, Folha do Colmo ou Bainha, Colmo, Nó, Entrenó ou Internódio, Rama ou Galhos Laterais e Folhas.
Podemos ver tudo isso na ilustração encontrada na internet Figura 01, de Oscar Hidalgo Lopes.

Obs.: Oscar Hidalgo Lopes é um grande estudioso do Bambu e escritor tido como referência no assunto e assim o é reconhecido no mundo inteiro.


Partes do Bambu:


Figura 01
(Figura retirada da internet ”Oscar Hidalgo Lopes”)

Quanto ao tipo de rizoma o Bambu ainda é basicamente dividido em dois grupos, os entouceirantes (Simpodiais) e os alastrantes (Monopodiais). Pouco divulgado ainda há um terceiro grupo, os semi-entouceirantes (Anfipodiais) com as características dos dois anteriores encontradas na mesma planta um misto de entouceirante e alastrante.

Essa distinção entre as espécies através do rizoma é essencial na hora de coletar o material para a produção de mudas. Felizmente essas características são facilmente reconhecidas em um bambuzal já formado, primeiramente se observa a distância entre os colmos. 

Nos entouceirantes, como o próprio nome já diz, os bambus vão sempre estar em touceiras bem definidas e colmos bem unidos, dificultando que se ande por entre os colmos, com exceção do Guadua que tem rizomas com características de entouceirante, mas depois de adulto se apresenta na formação de bosque com espaço entre os colmos.

No caso dos alastrantes, nunca teremos touceiras definidas e quando adultos se bem manejados, formam lindos bosques que permitem que se ande por entre os colmos.


Exemplo de Rizoma de Bambu entouceirante: (Simpodial)
Dendrocalamus giganteus
Guadua angustifolia kunt
Bambusa Vulgaris
Guadua chacoensis
Bambusa textillis


Figura 02

(Figura retirada da internet ”Oscar Hidalgo Lopes”)



Exemplo de Rizoma de Bambu Alastrante: (Monopodial)
Phylostachys aurea
Phylostachys pubecens
Phylostachys nigra


Figura 03
(Figura retirada da internet ”Oscar Hidalgo Lopes”)








Exemplo de Rizoma de Bambu Semi Entouceirante: (Anfipodial)



Figura 04
(Figura retirada da internet ”Oscar Hidalgo Lopes”)



Coletando o Material Para as Mudas

Quando citei que é essencial saber a diferença entre alastrantes e entouceirantes para a coleta de material para a produção de mudas, o que quis dizer é que isso já ajuda a identificar qual método utilizar para a coleta do material, com maiores chances de sucesso.


Entouceirantes

Nos Bambus entouceirantes de diâmetro maior, torna-se viável a produção de mudas a partir dos galhos primários, sendo estes retirados juntamente com o nó do colmo que originou tal broto. Exemplo: Dendrocalamus asper, Dendrocalamus giganteus, Guadua angustifolia, Bambusa vulgaris, Bambusa vulgaris var. vitatta, Arundo donax.

Pegarei como exemplo e referência para coleta de material em campo, o Dendrocalamus asper, escolhi para tal uma touceira de médio porte entre o bambuzal da Fazenda dos Bambus. Antes de fazer o corte devemos não só examinar o material que precisamos, mas também a touceira de onde vamos tirar tal material para ter o cuidado de não a estarmos prejudicando, o material a ser tirado, tem que seguir as regras de manejo adequado a cada espécie, o que será passado com mais detalhes na oficina prática de produção de mudas.

Abaixo uma sequência de fotos mostrando o caminho percorrido na escolha do material para a produção de mudas de Dendrocalamus asper.

                                   A touceira escolhida:                                            Feito o manejo parcial
                                                  Foto 01                                                        foto 02

Na Foto 01 temos a touceira escolhida e na Foto 02, a mesma touceira com um manejo parcial para facilitar o acesso e a escolha do colmo que nos fornecerá o material. A escolha do colmo deve ser feita observando-se primeiramente que este não seja um broto jovem.

Escolhemos nesse caso um colmo com idade média de três anos, mas com brotação recente, que facilitará no processo de brotação e enraizamento da nova muda, outra observação que se deve ter, é que o colmo escolhido não seja gerador de um broto jovem, como podemos ver na Figura 02 que mostra a forma de crescimento dos rizomas dos entouceirantes, pois se existir broto jovem dependente direto do que vamos cortar, esse poderá ser prejudicado ou até morrer dependendo da sua idade e grau de dependência. Na mesma touceiras, até tínhamos colmos com maior quantidade de ramos laterais bons para fazer muda, porém esses tinhas brotos em faze de desenvolvimento dependentes desses, daí a escolha.


Colmo escolhido:                                                         Parte superior do mesmo colmo:
                                                 Foto 03                                                                      Foto 04


Obs.: Verificar a posição correta para o corte do colmo, esse corte deve ser sempre acima de um nó, de forma a não deixar que se forme o famoso copinho que acumularia água, fazendo com que a touceira tenha seus rizomas apodrecidos, o que poderia vir com o tempo a sacrificar toda a touceira.

Por fim o material coletado e podado adequadamente:
                                                                                  Foto 05


Exemplo de material coletado de Bambusa vulgaris var. vitatta observando-se o mesmo método empregado no Dendrocalamus asper:
Foto 06


Vamos ao plantio das duas espécies: Neste caso usei de saquinhos já prontos a algum tempo no viveiro de mudas da Fazenda dos Bambus, estes saquinhos foram cheios por funcionários da Fazenda com terra de compostagem feita na própria Fazenda a partir de material de poda de vegetações diversas como grama de jardim, brachiaria, bambu, etc. é um composto já bem fraco de nitrogênio o que o torna ideal na produção de mudas, pois a falta ou baixa quantidade de nitrogênio facilita o enraizamento. A muda é enfiada na terra do saquinho forçando o próprio material contra a terra fazendo com que se penetre, (não perfurando antes um buraco) e depois se compactando o solo no seu entorno com bastante força.

Mudas plantadas:


Foto 07


Nos entouceirantes de diâmetro menor as mudas são feitas de material retirado com o desmembramento da touceira, ficando um pedaço do colmo com o rizoma principal limpo, sem terra a sua volta, devido à impossibilidade de se manter o torrão ao fazer a separação de cada rizoma. Quando possível deixar o torrão de terra no entorno do rizoma, o resultado final será bem melhor, mas isso somente é possível quando raramente temos um colmo um pouco afastado da touceira ou ainda no caso da retirada da touceira inteira, o que é pouco praticável, dependendo das dimensões da touceira em questão.

Exemplo: Bambusa tuldoides, Bambusa multiplex, Capim bambu, Bambusa textillis.


Exemplo de material coletado e já plantado de Bambusa multiplex:
Foto 08                                                                                       Foto 09



Exemplo de material coletado do colmo (galho) e do rizoma do Arundo donax:



Foto 10                                                               Foto 11


Ainda no grupo dos entouceirantes, existe a viabilidade em algumas espécies em se fazer o plantio com o colmo deitado em uma vala, método similar ao plantio da cana de açúcar. Exemplo: Arundo donax, bambusa vulgaris, Bambusa vulgaris var. vitatta, Guadua angustifolia. Listados na ordem ascendente do grau de dificuldade, nesse caso o solo deve ser mantido sempre úmido e a meia sombra sem a luminosidade direta do sol.
    Exemplo de Arundo donax sendo plantado em método similar ao da cana de açúcar Sítio Terrinha - MG:
    Foto 12

Alastrantes

Dos alastrantes que conheço de modo geral, se torna mais difícil e complicado a produção de mudas, sendo na maioria dos casos inviável a produção de mudas em viveiro, a não ser os de menor porte, pois nos alastrantes se torna necessário a retirada da muda completa com rizoma e colmo, mantendo um bom torrão em torno do rizoma principal da muda. Para se ter uma idéia, já chegamos a retirar mudas de phylostachys pubecens com torrão pesando acima de 300kg, sendo necessário o uso de trator com concha frontal para o transporte da muda, a vantagem desse sistema, é que ao terminar o plantio, já se tem o bambuzal formado. Exemplo de alastrantes que conheço em que a única forma viável de se fazer mudas seja arrancando o colmo com o rizoma: Phylostachys pubecens, Phylostachys aurea, Pleioblastus chino elegantíssimus, Phylostachys angulatus, Phylostachys nigra, Pleioblastus variegatus. No caso esses bambus alastrantes são plantados em área de campo livre, onde no futuro as suas brotações são retiradas com os devidos torrões para o fornecimento de mudas.

Ao invés de um viveiro com mudas, temos uma área normal com o plantio das espécies desejadas de onde retiramos as mudas de acordo com a demanda pelas mesmas.

O inconveniente nesse tipo de produção é a maior área exigida para o processo e a dificuldade de transporte das mudas produzidas por esse meio, devido ao seu tamanho final.

    Exemplo de muda retirada do Phylostachys pubecens - Fazenda dos Bambus:
    Foto 13



    Exemplo de mudas de Phylostachys pubecens já transportadas para o local de plantio - Fazenda dos Bambus:
    Foto 14



Como visto na Foto 15 logo abaixo, ainda é feita uma poda de aproximadamente 30% dos galhos (ramos laterais primários) dos alastrantes retirados para a produção de mudas, isso ajuda na melhor pega das mesmas, pois se diminui de forma considerável a transpiração da planta.

Colaborador da Fazenda dos Bambus Israel da Silva fazendo a poda preparatória da muda de Phylostachys pubecens (mossô) - Fazenda dos BambusFoto 15

    Exemplo de bambuzal Phylostachys pubecens acabando de ser plantado - Fazenda dos Bambus:
    Foto 16



Como já dito, alguns alastrantes que conheço podem ser cultivados com viabilidade em saquinhos de mudas no viveiro, nesse caso, vamos retirar material no campo de replicação e levar para os saquinhos no viveiro.



Como exemplo citarei dois ornamentais: Sasa (Foto 17)  e Bambu vermelho - Fazenda dos Bambus.

Foto 17                                                                                     Foto 18


Obs.: Quando se retira material como nesse caso, em um plantio para a produção de mudas, se queremos que esse plantio se expanda, sempre procuramos retirar material que pode estar atrapalhando o crescimento dos demais, deixando a plantação menos densa começando pelo centro e nunca pelas bordas, a não ser que queiramos controlar a expansão da plantação e nesse último caso ainda podemos cavar uma vala com 60 cm de profundidade, o que conterá o avanço da plantação, essa vala deve ser verificada de tempos em tempos para não acontecer de algum rizoma mais forte que no caso deverá ser cortado atravesse a vala.


Material coletado de rizoma de Bambu Vermelho para mudas em viveiro - Fazenda dos Bambus.
Foto 19 – Material retirado do bambu vermelho                 Foto 20 – Material anterior já plantado em vaso 

Exemplo de material coletado com rizoma de Bambu Sasa para mudas em viveiro - Fazenda dos Bambus.
Foto 21 – Material coletado                                                     Foto 22 – Material plantado em vaso

Preparando os saquinhos para plantio em viveiro

Os saquinhos de mudas seguem tamanhos variados de acordo com o tamanho do material coletado para a produção das mudas. No caso das mudas citadas até aqui, usaremos três tamanhos distintos de saquinhos: 25x25cm, 20x20cm e 15x15cm.

Os saquinhos devem ser preenchidos preferencialmente com terra de compostagem que facilita o enraizamento inicial das mudas. Para a produção de mudas, principalmente quando se trata de material cortado do colmo do Bambu, a terra de compostagem nunca deve ser rica em nitrogênio, aqui o mais importante é a matéria orgânica existente no material que facilitará o enraizamento do material, enquanto que o nitrogênio em excesso inibiria o enraizamento das plantas e até mesmo causando a queima da formação de tais raízes.

Na falta de terra de compostagem, devemos utilizar de uma mistura a base de solo comum, areia, esterco bovino e calcário apenas para neutralizar a acidez do solo. Para um solo com pouca ou nenhuma matéria orgânica podemos fazer a mistura na seguinte proporção: duas porções de terra, uma porção de areia e ½ porção de esterco bovino, o calcário deverá ser calculado com base em análise do solo.

Aqui também mantemos baixo o nível de nitrogênio quando colocamos o esterco bovino em uma proporção de 6x1, devendo os materiais serem bem misturados para não correr o risco de que uma quantidade de saquinhos fique com mais um material que outro o que poderia comprometer todo o trabalho com esse material.

Foto 23 (Terra sendo preparada para o enchimento dos saquinhos de mudas)
Aqui o uso do calcário é apenas a título de ilustração de possibilidade, já feito quando não tínhamos material de compostagem, pois no meu conceito de orgânico nem mesmo o calcário é utilizado, a não ser em casos extremos de acidez do solo. Atualmente utilizamos apenas material de compostagem e nenhum agrotóxico ou adubo químico.

Foto 24 (Saquinhos já no viveiro prontos para receber o material vegetativo, futuras mudas)


Exemplo de saquinhos já com mudas plantadas no viveiro (Guadua angustifolia) - Fazenda dos Bambus:
Foto 25


Exemplo de mudas prontas para ir ao campo (Guadua angustifolia) - Fazenda dos Bambus:
Foto 26

Ferramentas

No mercado brasileiro, devido a pouca cultura relacionada ao bambu, é um pouco difícil encontrar ferramentas apropriadas ao trabalho com o bambu e estas quando encontradas, costumam ter valor elevado, pois na sua maioria são importadas principalmente do Japão, neste caso uma boa opção é a adaptação do que já temos para outras finalidades ou até mesmo a fabricação improvisada de algumas dessas ferramentas.
Exemplo de vanga feita artesanalmente a partir de disco velho de arado:
Foto 27 (Ferramenta idealizada e fabricada pelo Ademir Sartori – Tratorista da Fazenda dos Bambus)


Foto 28 (Serrotes nacionais de poda utilizados com o bambu)


Foto 29 (Tesouras nacionais de poda, utilizadas com o bambu)


Foto 30 (Tesouras importadas mais apropriadas ao uso com o Bambu)



Foto 31 (Serrotes importados mais apropriados ao uso com o Bambu)


Caso haja no mercado da região, tais ferramentas importadas, a decisão em comprá-las ou comprar as convencionais, é muito particular de cada pessoa devido à enorme diferença de preço entre uma e outra. O que vale observar na hora de tomar a decisão, é a intensidade de uso de tais ferramentas, pois se levar em consideração que as importadas, mais caras duram o suficiente para haver gasto talvez até mais que o valor das mesmas com as convencionais, por causa das substituições precoces.

O lucro fica na qualidade do trabalho que é muito melhor com as ferramentas importadas devido à precisão das mesmas, somando a isso menos esforço por parte do trabalhador, maior rendimento no serviço para o caso de produção de mudas, maior resultado positivo por não machucarem tanto o material da muda e ainda a satisfação de estar trabalhando com uma ferramenta de qualidade.

Importante: para colheita (manejo) do Bambu, nunca utilize como ferramenta de corte facões, foices, machados, etc. o mais indicado é mesmo o serrote apropriado, o uso da moto serra somente deve ser feito quando as touceiras estiverem bem manejadas para não haver o risco de machucar os colmos novos e sempre em todos os casos fazendo o corte acima de um nó que esteja ligeiramente acima do nível do solo, evitando que fique o oco do bambu em forma de copo para ajuntar água, o que pode causar o apodrecimento dos rizomas próximos, o que poderia enfraquecer a touceira como um todo.

Exceções no tratado até aqui

No caso do Guadua angustifolia em particular, temos mais dois outros métodos de replicação de mudas, o primeiro pela replicação convencional usada na Colômbia, de onde o mesmo é nativo que se trata da retirada de toda a terra das raízes da muda de saquinho e a divisão das mesmas pelos rizomas.


Na Foto 34 já podemos verificar que a nossa multiplicação, rendeu 5x1, a média que tenho conseguido é de 7x1, aqui podemos notar que temos a esquerda três mudas com maior qualidade, devido a estarem bem enraizadas, as outras duas da direita, são mudas que provavelmente pegarão, mas devido a serem brotos novos com raízes mais grossas de sustentação, sempre há o risco de as perdermos, caso haja alguma mudança brusca no clima ou qualquer problema de falta de irrigação.
Exemplo de mudas feitas através do sistema de divisão pelo rizoma, prontas para ir ao campo:
Foto 38

O segundo método, (Esse método é aplicadoo apenas ao Guadua angustifolia, podendo ainda vir a ser testado em outras espécies) desenvolvemos durante três anos de pesquisa no viveiro de mudas da Fazenda dos Bambus, com a ajuda dos colaboradores da Fazenda e opiniões/questionamentos das demais pessoas que visitaram o viveiro. Esse sistema é baseado no reaproveitamento dos colmos podados de outras mudas no próprio viveiro já em fase de crescimento.

Para esse tipo de replicação de mudas, é muito importante verificar se a época está sujeita a mudanças bruscas de temperatura, pois caso haja uma mudança muito brusca, tanto do frio para o quente, como do quente para o frio, o risco do comprometimento de todo o trabalho será grande e ao menos um aumento considerável na porcentagem de perda será inevitável.

Outra coisa que deve ser bem observada é que o composto utilizado nos saquinhos para a produção das mudas esteja fraco em nitrogênio e com bastante matéria orgânica o que ajudará na formação das raízes e desenvolvimento das mesmas pela facilidade de permeação das mesmas através do material contido nos saquinhos.
Exemplo de replicação de mudas pelo sistema de poda do colmo de outras mudas no viveiro:
Foto 39 (Posição ideal para retirada do material)          Foto 40 (Material retirado e muda anterior mantida)

Foto 41 (O material colhido, corte do entrenó inicial)           Foto 42 (Divisão do material para duas mudas)

Foto 43 (Retiradas as folhas para diminuir a transpiração)   Foto 44 (Posição de colocação das mudas no saquinho)

Foto 45 (Introdução da muda com o próprio dedo)            Foto 46 (Compactação final da muda plantada)


Exemplo de mudas em fase de desenvolvimento feitas com o sistema de reaproveitamento de material de mudas do viveiro com quatro meses de idade (Estas fiz apenas nas horas de folga):

Foto 47


Observações importantes:

·      Em todos os sistemas de produção de mudas onde se cortou parte do colmo ou fora feito a divisão por rizoma de planta pequena em saquinhos de viveiro para a formação de uma nova muda, antes do plantio em saquinho é de fundamental importância que se corte todas as folhas do material utilizado com o uso de tesoura apropriada (Pode ser uma tesoura para papel ou tesoura pequena de poda), deixando-se apenas o colmo, caso contrário haverá a desidratação rápida e o não enraizamento da nova planta, levando-a a morte.

·      Em todas as espécies citadas, é possível produzir mudas a partir do rizoma, desde que se mantenha todo ou parte do colmo junto ao mesmo, o que se deve levar em conta é a viabilidade do processo, pois mudas feitas com o rizoma, tendem a se desenvolver mais rápido, porém quando o fator principal for a quantidade de mudas, fica mais viável a produção que utiliza dos galhos (colmos) para a produção de mudas, visto que um único colmo irá produzir várias mudas.

·      Em testes que fizemos com colmos de Guadua angustifolia derrubados com o vento, cortamos os colmos com mais ou menos um metro de altura e arrancando essa parte com o rizoma completo do chão e plantamos em outra área, no ano seguinte ele já brotou novos colmos equivalentes aos de bambus plantados a pelo menos três anos.



Exemplo de muda de Guadua angustifolia retirada com o rizoma adulto, comparar com a muda comum da direita, seis meses mais velha.

Foto 48 (Feita com rizoma adulto)                                Foto 49 (Muda convencional seis meses mais velha)

Obs.: Ambas as mudas foram plantadas consorciadas com o feijão guandu, em forma de adubação verde, pois o mesmo faz a fixação de nitrogênio no solo. Está fácil verificar o quanto o guandu da muda da direita está maior, o que denuncia os seis meses em que a planta é mais velha que a da esquerda, porém a muda de bambu, muito menor, apesar de mais velha, devido apenas ao sistema utilizado na produção da muda.


   Nos bambus que citei ser viável a produção de mudas a partir do colmo considerei apenas os que formam brotações consistentes e desde o início compatíveis com a mesma espécie em se fazendo mudas pelo Rizoma, ou seja, capacidade de se produzir mudas de qualidade, pois existem ainda alguns que se pode fazer mudas pelos Colmos/Ramos primários, mas essas produzem brotos raquíticos com crescimento muito lento, tornando o processo inviável.       Como exemplo citarei o Bambusa multiplex (Foto 50 e Foto 51) que com a muda sendo feita do colmo selecionado, (nem todo serve) tem uma pega de 40% e ainda um desenvolvimento muito lento, enquanto que se feita da separação do rizoma tem uma pega de 80 a 95% e crescimento rápido, variando de acordo com os cuidados e qualidade de material disponível e condições climáticas.




Muda com três anos de idade                                 Muda com seis meses de idade

                    Foto 50 (Muda feita do colmo do Bambusa multiplex)        Foto 51 (Muda feita com Rizoma do Bambusa multiplex)


Na Foto 50 temos uma muda de Bambusa multiplex, feita a partir do colmo de um bambuzal adulto. Em três anos a muda não se desenvolveu suficientemente para ir ao campo, claro que se a tivéssemos levado ao campo mesmo pequena, estaria bem maior, mas os cuidados seriam maiores principalmente com plantas invasoras, inviabilizando este tipo de plantio. 

Já na Foto 51 temos uma muda do mesmo Bambusa multiplex, feita a partir do rizoma acompanhado de um pequeno pedaço do colmo subdividido da touceira, esta muda tem seis meses de idade e já está pronta para ir ao campo. O Bambusa multiplex, é um bambu ornamental entouceirante muito utilizado para cercas vivas e barreiras de quebra-vento além de vasos ornamentais, ou simples touceiras em jardins.

Nesses dois casos podemos ver claramente o quanto vale o estudo de viabilidade. Nos dois casos tivemos sucesso em produção de mudas, mas somente em um dos casos tivemos sucesso quanto ao crescimento, tornando esse viável em se comparando com o primeiro caso, ou seja, o que utilizamos do rizoma para a produção é por enquanto o mais viável.

Vamos pensar um pouco:

·      Nada pode estar sobrando, o que existe é falta de compensação, pois o que sobra em um lugar falta em outro, basta ligar as coisas.

·      Já que não podemos fazer nada, a única coisa que sabemos fazer é transformar uma coisa em outra, ao menos transformemos para melhor. Observando que para ser melhor tem que ser o mais próximo possível do sustentável.

·      Um dia alguém vai dizer: Antepassados egoístas destruíram tudo... Somente nós podemos mudar isso e não é salvando o planeta como estamos acostumados a dizer, é não o assassinando como estamos fazendo.

·      Plantar Bambu? Sim, porque não? Pode ser que nunca precise dele, nem seus filhos ou netos, mas com certeza, de ar puro para respirar precisarão. Então plante.

·      Um Bambuzal demora muito para se formar? Se tivesse plantado ontem, já seria um dia a menos.

·      Estou velho, não tenho porque me preocupar com daqui a 50 anos, quando pode estar faltando tudo... Isso sim é ser egoísta ao extremo.

Curiosidades sobre o Bambu

·      O Japão como todos os países Asiáticos tem uma grande quantidade de bambus nativos, quando da bomba de Hiroshima (Não sei falar muito da história), os bambus foram os primeiros a ressurgirem do horroroso cenário em recuperação.

·      Das mais de mil tentativas de Tomas Edson em fabricar a primeira lâmpada elétrica, o Bambu foi um dos materiais que mais contribuiu para a descoberta do filamento incandescente da mesma.

·      Santos Dumont de Andrade, depois de dar ao homem o poder de voar através do seu primeiro avião, o 14bis. Fez o primeiro avião comercial do mundo com toda sua estrutura de colmos de bambu presas umas as outras com cordas de piano, esse foi o Demoiselle.

·      Na índia, o milenário Taj Mahal que fora reformado recentemente, era todo estruturado em bambu.

·      Na fabricação de pontes, se consegue maior vão livre com o bambu que com o aço.

·      No mundo são mais de 1.250 espécies, um pouco mais de 250 delas no Brasil, colocando o país no primeiro lugar em espécies nativas na América Latina.

·      O Estado do Acre tem 30% do seu território coberto por bambus nativos.

Você sabia que:

·      O bambu apresenta cerca de 55% de celulose? O rendimento (t/ha/ano) em carvão de uma plantação de bambu é similar àquele de um plantio de eucalipto?
·      A densidade do carvão de bambu é superior à densidade do carvão da madeira de eucalipto?
·      O carvão de bambu apresenta propriedades medicinais: algumas pessoas o utilizam para banhos de imersão?
·       Na Índia cerca de 70% do papel é feito à base de celulose de bambu?
·      Cabos de bambu trançado podem ser equivalentes ao aço CA25?
·      A resistência à compressão de uma peça curta de bambu pode ser 6 vezes superior ao concreto?
·      Na Tanzânia existem 700 km de tubulações de bambu para irrigação?
·      No Nordeste do Brasil (Maranhão, Pernambuco e Paraíba) existem milhares de hectares de bambu plantados para a produção de papel?

Bambu, a planta sagrada podendo ser utilizada para o alimento e até a fabricação dos mais diversos aparatos, com mais de 5.000 utilidades indexadas, muito difícil encontrar outro material tão versátil e com casos registrados de crescimento de até 1,21mt. em 24 horas.



Bambu... Esse material vale a pena estudar, nem que seja somente para saber...


Considerações Finais

Detalhes de tudo tratado aqui na apostila serão mostrados na oficina prática de produção de mudas de Bambu em viveiro e campo de replicação.


Essa apostila estará em constante atualização e é parte de um material que estou escrevendo sobre todo o trabalho realizado na Fazenda dos Bambus no que se diz respeito às atividades com Bambu.

Observações: Serão muito bem-vindas: Críticas, Sugestões e Elogios. Isso mesmos, na ordem em que foram colocadas: Os Elogios são muito bons, mas nos dão a sensação de que está tudo no máximo das possibilidades, as sugestões nos dão ideia do que podemos melhorar em determinados pontos, mas quem nos faz dar mesmo o máximo que podemos são as críticas. Nem sei se queria dizer isso, mas é a mais pura verdade!


Esta apostila pode ser replicada (assim como fazemos com as mudas de Bambu) e distribuída da forma que acharem conveniente, o importante aqui é a divulgação e incentivo ao cultivo e uso do Bambu e não de Egos.

Um grande abraço a todos e aguardo alguns elogios, boas sugestões e bastante críticas...

Obs.: Todas as fotos da apostila exceto a que mostra o bambu Arundo donax sendo plantado na horizontal no mesmo sistema da cana de açúcar, foram tiradas na fazenda dos Bambus em trabalhos realizados sob minha administração entre 2006 e 2008.


Eliseu Pinheiro Lopes
Sítio Terrinha
Vale do Jequitinhonha - Araçuaí - Minas Gerais
(14) 9977-2107 - sitioterrinha@yahoo.com.br
www.google.com/profiles/eliseupinheirolopes


31 de Agosto de 2012 - Revisada a apostila no blog...

Clique aqui e faça o download da apostila completa revisada e atualizada em PDF